PARTE 3
SINTAXE
CAPTULO 18

A Sintaxe se ocupa do estudo das relaes que as palavras estabelecem entre si 
nas oraes e das relaes que se estabelecem entre as oraes nos perodos. 
Quando se relacionam palavras e oraes, criam-se discursos, ou seja, utiliza-se 
efetivamente a lngua para que se satisfaam todas as necessidades de 
comunicao e expresso. O conhecimento da Sintaxe , portanto, um 
instrumento essencial para o manuseio satisfatrio das mltiplas possibilidades 
que existem para combinar palavras e oraes.

1 FRASE, ORAO E PERODO
Dispor as palavras em frases  o primeiro passo para a construo dos discursos. 
Isso significa que a frase se define pelo seu propsito de comunicao, isto , 
pela sua capacidade de, num dilogo, numa tese, enfim, em alguma forma de 
comunicao lingstica, ser capaz de transmitir o contedo desejado para a 
situao em que  utilizada. Na fala, a frase apresenta uma entoao que indica 
com clareza seu incio e seu fim; na escrita, esses limites so normalmente 
indicados pelas iniciais maisculas e pelo uso de ponto (final, de exclamao ou 
interrogao) ou reticncias. O conceito de frase , portanto, bastante abrangente, 
incluindo desde estruturas lingsticas muito simples, como:
Ai!,
que em determinada situao  suficiente para transmitir um contedo claro, at 
estruturas complexas como:
Assim, a idolatria da mquina de matar que corresponde a certas fantasias do 
te/espectador mas que nada tem a ver com a funo de zelar pela segurana 
pblica, acaba contribuindo para o surgimento dos valentes enlouquecidos 
dentro da tropa.

As frases de estrutura mais complexa geralmente se organizam a partir de um ou 
mais verbos (ou locues verbais). A frase, ou a parte de uma frase, que se 
organiza a partir de um verbo ou locuo verbal recebe o nome de orao. A frase 
estruturada em oraes constitui o perodo, que pode ser simples (formado por 
apenas uma orao) ou composto (formado por duas ou mais oraes). Observe:

CAPTULO 18
INTRODUO  SINTAXE 
340

A vida (vale) muito pouco neste pas.
Trata-se de um perodo simples, formado por apenas uma orao organizada a 
partir da forma verbal destacada.

A vida neste pas (vale) to pouco (que) no se (sabe) (se) (h) limite para o pior.
Trata-se de um perodo composto, formado por trs oraes organizadas a partir 
dos verbos destacados e conectadas pelas conjunes grifadas.
A Sintaxe se ocupa do estudo do perodo simples e do perodo composto.

- nota da ledora: Campanha da Casa do Hemoflico do Rio de Janeiro, um cartaz 
vermelho com as seguintes palavras: Voc desmaia quando v sangue? - fim da 
nota. 

Na frase acima, temos um perodo composto formado por duas oraes, organizadas a 
partir das formas verbais desmaia e v. 

2 TIPOS DE FRASES
Muitas vezes, as frases assumem sentidos que s podem ser integralmente 
captados se atentarmos para o contexto em que so empregadas.  o caso, por 
exemplo, das situaes em que se explora a ironia. Pense, por exemplo, na frase 
"Que educao!", usada quando se v algum invadindo, com seu carro, a faixa 
de pedestres. Nesse caso, ela expressa exatamente o contrrio do que 
aparentemente diz.
A entoao  um elemento muito importante da frase falada, pois nos d uma 
ampla possibilidade de expresso. Dependendo de como  dita, uma frase 
simples como " ele." pode indicar constatao, dvida, surpresa, indignao, 
decepo, etc. Na lngua escrita, os sinais de pontuao podem agir como 
definidores do sentido das frases: " ele."; " ele?"; " ele!"; " ele?!"; "E ele..."; 
etc.
Existem, na lngua portuguesa, alguns tipos de frases cuja entoao  mais ou 
menos previsvel, de acordo com o sentido que transmitem. Observe:
a)frases declarativas: informam ou declaram alguma coisa. Podem ser afirmativas, 
como:
Comeou a chover.
ou negativas, como:
Ainda no comeou a chover.

CAPTULO 18
INTRODUO  SINTAXE
341


- nota da ledora: campanha da Casa do Hemoflico do Rio de Janeiro: cartaz, e,m 
preto, com o seguinte texto: Tem gente que morre porque no v. - fim da nota.  
Acima, temos exemplo de frase declarativa. Esta, porm, s faz sentido quando lida 
como resposta  frase interrogativa da pgina anterior. ( da mesma campanha) 

b) frases interrogativas: ocorrem quando se quer obter alguma informao. A 
interrogao pode ser direta, como nas frases:
Comeou a chover?
Quem quer um louco na presidncia? ou indireta, como nas frases:
Quero saber se comeou a chover.
No sei quem quer um um louco na presidncia.

c) frases imperativas: so empregadas quando se quer agir diretamente sobre o 
comportamento do interlocutor, o que ocorre quando se do conselhos, ordens 
ou quando se fazem pedidos. Podem ser afirmativas, como:
Manifeste claramente o seu pensamento ou negativas, como:
No seja inoportuno.

d) frases exclamativas: so empregadas quando o emissor deseja expressar um 
estado emotivo.  o caso de:
Comeou a chover!
Vai comear tudo de novo!
e) frases optativas: so empregadas para exprimir desejo. So exemplos de frases 
optativas:
Deus te guie!
Bons ventos o levem!

ATIVIDADES
1. Leia atentamente as frases de cada um dos grupos seguintes. Em seguida, leia-
as em voz alta, conferindo a cada uma a entonao adequada.
a) Ele j prestou depoimento.
Ele j prestou depoimento?
Ele j prestou depoimento!
Ele j prestou depoimento...
Ele j prestou depoimento!? 
b) No quero que voc saiba.
No quero que voc saiba!
No quero que voc saiba?
No quero que voc saiba... 
c)J sei!
J sei?
J sei.

CAPITULO 18 
INTRODUO  SINTAXE
342

2. Escreva:
a) uma frase que tambm  uma orao;
b) uma frase formada por mais de uma uma orao;
c) uma frase que no  orao;
d) uma orao que no  frase.

3. Algumas das frases dadas como respostas aos itens da questo no. 2 
constituem perodos. Quais so? Classifique-os em perodos simpIes ou 
compostos.

4. O Manual de estilo da Editora Abril afirma:
"Se voc deseja ser compreendido, suas frases devero atender a um requisito 
essencial: a clareza.  uma exigncia para a qual no existe meio-termo. Se a 
frase for clara, voc dir o que quis dizer. Se a frase for obscura, voc provocar 
confuso". Levando em considerao essas colocaes, comente as frases 
seguintes, retiradas da mesma pgina desse Manual.
"Enfim, toda vez que voc sentar-se  mquina, postar-se diante do terminal ou 
pegar a caneta com o propsito de escrever, lembre-se que sentenas de breve 
extenso, amide logradas por intermdio da busca incessante da simplicidade 
no ato de redigir, da utilizao frequente do ponto, do corte de palavras inteis 
que no servem mesmo para nada e da eliminao sem d nem piedade dos 
clichs, dos jarges to presentes nas laudas das matrias dos setoristas, da 
retrica discursiva e da redundncia repetitiva - sem aquelas interminveis 
oraes intercaladas e sem o abuso de partculas de subordinao, como por 
exempIo 'que', 'embora', 'onde', 'quando', capazes de encomprid-las 
desnecessariamente, tirando em consequncia o flego do pobre leitor -'isso para 
no falar que no custa refaz-las, providncia que pode aproximar o verbo e o 
complemento do sujeito, tais sentenas de breve extenso, insistimos antes que 
comecemos a chate-lo, so melhores e mais claras. Ou seja, use frases curtas."

3 AS FRASES E A PONTUAO 

Uma frase  um conjunto de elementos lingsticos estruturados para que se con-
cretize a comunicao. Na lngua oral, esses conjuntos se estruturam em 
sequncias cuja ordenao em boa parte  feita por recursos vocais, como a 
entoao, as pausas, a melodia e at mesmo os silncios. Para perceber a 
importncia da participao desses elementos sonoros na organizao da 
linguagem falada, basta observar algum que esteja se comunicando em voz alta: 
voc vai notar que essa pessoa controla os recursos vocais mencionados para 
que suas frases se articulem significativamente. Assim, as frases faladas e os 
recursos vocais que as organizam constroem os textos falados.
Na escrita, os elementos vocais da linguagem so substitudos por um sistema de 
sinais visuais que com eles mantm alguma correspondncia. Esses sinais so 
conhecidos como sinais de pontuao e seu papel na lngua escrita  semelhante 
ao dos elementos vocais na lngua falada: participam da estruturao das frases 
na construo dos textos escritos. O estudo do emprego dos sinais de pontuao 
est ligado  percepo de seu papel estruturador na lngua escrita. Isso significa 
que no se aprende a us-los partindo-se do pressuposto de que eles

CAPTULO 18
INTRODUO  SINTAXE
343


representam na escrita as pausas e melodias da lngua falada: no  esse o papel 
desses sinais. O estudo de seu emprego baseia-se na organizao sinttica e 
significativa das frases escritas e no nas pausas e na melodia das frases faladas.
Levando em conta tudo isso, decidimos organizar o estudo da pontuao 
tomando como ponto de partida os estudos de Sintaxe. Voc perceber, assim, 
que o conhecimento da organizao sinttica da lngua portuguesa  um 
poderoso instrumento para que se alcance a pontuao correta e eficiente.
Neste primeiro captulo, vamos falar dos sinais que delimitam graficamente as 
frases.
Observe:
a) o	ponto final (.) utilizado fundamentalmente para indicar o fim de uma frase 
declarativa:
No h pas justo sem equilbrio social. 
No  possvel que ainda se pense que h pessoas que tm mais direitos do que 
outras.

"A vida  a arte do encontro, embora haja muito desencontro pela vida." (Vinicius 
de Moraes)

o ponto de interrogao (?)  o sinal que indica o fim de uma frase interrogativa 
direta:
O que voc quer aqui?
At quando os brasileiros vo se negar a entender que misria e desenvolvimento 
so inconciliveis?
Nas frases interrogativas indiretas, utiliza-se ponto final:
Quero saber por que voc no colabora.

c) o ponto de exclamao (!)  o sinal que indica o fim de frases exclamativas ou 
optativas (as que expressam desejo):
Que bela companheira voc ! 
Que Deus te acompanhe!

- nota da ledora: quadrinhos de Ziraldo, representando dois hones se 
encontrando, um bem humorado e o outro mau humorado: dilogo 
- bem humorado: tudo bem? 
- mau humorado: - em que sentido? 
- bem humorado: como vai? 
- mau humorado: por que pergunta? 	
- bem humorado: quanto tempo?! 
- mau humorado: duas e quinze. 
- bem humorado: Adeus!
- mau humorado: ao diabo! - fim da nota.
A esto os pontos de interrogao e de exclamao! Mas, diante de tantos dilogos 
bizarros, melhor renunciar s explicaes, e apenas rir.

Tambm pode ser usado para marcar o fim de frases imperativas:
- V-se embora!	1

CAPITULO 18
INTRODUO  SINTAXE
344

 comum como recurso de nfase a repetio do ponto de exclamao ou sua 
combinao com o ponto de interrogao:
Qu?! De novo?! No suporto mais isso!!! 
Ele outra vez?! No!!

d) o sinal de reticncias (...) indica uma interrupo da estrutura frasal. Essa 
interrupo pode decorrer de hesitao de quem tem sua fala representada ou 
pode indicar que se espera do leitor o complemento da frase (muitas vezes com 
finalidade irnica):
Veja bem, no sei... Quem sabe seja... , na verdade eu no sei...
Bem, eu queria... Voc sabe muito bem o que eu quero...
O rbitro  muito eficiente, mas os auxiliares...
Pelo jeito, ainda ser preciso esperar muito tempo para que os brasileiros
compreendam em que consiste a verdadeira modernidade social...
Tambm o sinal de reticncias  constantemente combinado com pontos de 
interrogao ou exclamao, para acrescentar  frase particularidades de 
significado:
Voc faria isso por mim?... 
De novo!...

e) na representao grfica de dilogos, utilizam-se os dois pontos (:) e os 
travesses (-):
Depois de um longo silncio, ele disse:

-  melhor esquecer tudo.
-  melhor esquecer tudo - disse ele, depois de um longo silncio.
-  melhor - concordei.
Tambm  possvel empregar vrgulas no lugar dos travesses intermedirios:
- Convm tentar esquecer tudo, disse ele, para que ningum mais seja prejudicado.
A situao parece ter chegado a um impasse. "Muitos sem-terra atingiram os 
limites do desespero", afirmou o socilogo, "e parecem decididos a ir at o fim".

ATIVIDADES
1. Foram retirados os pontos finais dos perodos que formam o pargrafo 
seguinte. Recoloque-os.
a idia de que a violncia provm da m ndole dos indivduos que a praticam  
bastante generalizada ouvem-se com bastante frequncia grupos de cidados 
que exigem maior eficincia da policia e at mesmo a interveno do Exrcito 
como forma de garantir a segurana dos indivduos e seu patrimnio mais raras 
so as vozes que se levantam para denunciar uma sociedade hipcrita em que 
aqueles que pusam como pais de famlia exemplares se transformam em exter

CAPTULO 18
iNTRODuO  SINTAXE

345

minadores sem escrpulos assim que seguram o volante de um automvel 
saliente-se que nesse caso a culpa  atribuida  neurose do trnsito das grandes 
cidades e no  m ndole individual

2. Foram retirados os sinais de pontuao que indicam o final dos perodos que 
formam o pargrafo seguinte. Recoloque-os.
h efetivamente um conjunto de brasileiros que se comportam como se as leis 
no lhes dissessem respeito o convvio social no passa de uma forma de lhes 
satisfazer os desejos as obrigaes inerentes a qualquer forma de sociedade 
pertencem excluvisamente aos outros seria importante saber o que efetivamente 
produzem esses indivduos para o bem da comunidade so eles seres ver-
dadeiramente sociais a resposta a essa pergunta pude dar inicio  redescoberta 
da noo de bem-comum

3.  Crie um dilogo em que voc utiliza pontos de exclamao, pontos de 
interrogao, reticncias e travesses.
CAPTULO 18
INTRODUO  SINTAXE
346
